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Saúde Mental13 de setembro de 2026 · Adilson Costa

Geração Z troca telas por crochê, cerâmica e outros hobbies 'retrô' para desacelerar: 'Bom para saúde mental', diz jovem - G1

Notícia de origem

O fato


Uma reportagem recente do G1 mostra que jovens da Geração Z estão abandonando as telas em favor de hobbies manuais como crochê, cerâmica e bordado. O movimento é descrito pelos próprios jovens como uma estratégia de saúde mental — uma forma deliberada de desacelerar num mundo hiperconectado.


O que está em jogo


Há algo paradoxal aqui que merece atenção: a geração que cresceu nativa no digital está buscando refúgio no analógico.

Não por nostalgia — eles não têm memória afetiva do crochê da avó.

A escolha parece ser outra coisa. Um gesto de recuperação de algo que o ambiente digital pode retirar: a experiência de presença, de um tempo que passa devagar, de um resultado que se pode tocar.

O que está em jogo talvez não seja apenas um hobby.


É a tentativa de recuperar a sensação de habitar o próprio corpo e o próprio tempo.


A lente


Winnicott pensou o brincar como um espaço no qual a pessoa pode experimentar e criar sem estar submetida, o tempo todo, às exigências do mundo externo.

O que esses jovens estão fazendo com agulhas e argila pode ser lido nessa direção: uma atividade que não exige audiência, não gera métrica, não pede engajamento.

Num ambiente cultural e organizacional que transformou quase toda experiência em dado mensurável, a resistência pode aparecer de uma forma curiosamente simples: um novelo de lã, um pedaço de argila, uma peça feita à mão.


Há também algo que podemos aproximar de Bion: a capacidade de permanecer diante da experiência sem precisar preenchê-la ou descarregá-la imediatamente.

O crochê exige atenção sustentada. A cerâmica exige presença. O resultado não aparece instantaneamente.

É quase o oposto da lógica das notificações que organiza boa parte da vida digital.


Para o líder


Esse movimento deveria provocar uma pergunta nas organizações:


O que estamos fazendo com o tempo e a atenção das pessoas?


Se uma parcela da geração mais jovem está buscando, fora do trabalho, experiências de presença, lentidão, criação e ausência de julgamento, talvez isso não seja apenas um dado sobre hobbies.


Pode ser também um sinal sobre o tipo de experiência que determinados ambientes estão produzindo.

A pergunta não é:


Como engajar a Geração Z?


Talvez seja outra:


O que, silenciosamente, estamos pedindo que eles deixem do lado de fora quando entram?


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